Justiça que tarda…

Lisboa, 1995: dois homens entram em luta corporal após uma boba discussão no trânsito da capital portuguesa.

Gonçalo leva uns socos a mais na frente da namorada. Decide não deixar barato. Volta ao carro, pega um revólver calibre .32 e atinge com três tiros nas costas Nélio Marques, 25 anos, que morre quatro horas depois num Hospital lisboeta.

O autor dos disparos é preso no  local do crime, mas logo é solto.  Passou seis meses sem poder sair de casa com uma pulseira eletrônica.

Em abril de 2010 foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio simples, longe da pena máxima de 25 anos.

Após o julgamento, um parecer de um professor de medicina (um Sanguinetti português)  põe em cheque os fundamentos da sentença. Afirma que a morte decorreu de uma parada cardíaca ocorrida durante a intervenção cirúrgica, supostamente feita tarde demais em Nélio.

Durante o julgamento, os juízes recusaram ouvir os médicos do hospital onde Nélio foi buscar socorro. Interrogaram apenas os técnicos legistas do IML que fizeram a autópsia e atribuíram a morte a um choque hipovolêmico (perda de sangue) provocado pelos disparos.

A defesa de Gonçalo recorreu e o Tribunal deu-lhe razão: o julgamento tem ser retomado, o acórdão refeito e os médicos do Hospital deverão ser ouvidos.

Realizou-se novo julgamento em 2012 e os peritos médicos foram unânimes em afirmar que a morte de Nélio Marques, por paragem cardíaca, resultou da impossibilidade de estancar as hemorragias causadas pelos diversos ferimentos de bala, que lhe perfuraram os pulmões e outras partes do corpo.

Gonçalo foi condenado novamente a 12 anos de cadeia, ou seja, a mesma pena que havia sido aplicada antes da repetição do julgamento ordenada pelo Tribunal da Relação de Lisboa.

Como acontece por aqui, ainda falta muito chão para Gonçalo recolher-se ao cárcere.

Para mais informações sobre o fato: clique aqui.

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