O governo de Pilatos

 transito03.jpgNo dia 06 de fevereiro de 2012, às 12h15, à rua Joaquim Sarmento – Centro, após meu veículo, Ford Fiesta, cor prata, envolver-se em um acidente de trânsito sem vítimas, apenas danos materiais, solicitei de imediato auxilio dos famosos “marronzinhos” para me orientarem e evidentemente dirimir o conflito, função essa que deveria ser de encargo do poder público em face de tantos impostos que pagamos.

Mas para meu espanto o agente de trânsito disse que eu deveria tirar fotos e retirar meu veículo do local e ir a uma delegacia fazer um Boletim de Ocorrencia, pois não se chama mais perícia nesses casos em que não há vítima, sem dar mais nenhuma explicação.

Após um calvário de idas e vindas à delegacia e postos do departamento de trânsito, obtive a informação por parte de uma atendente do Detran (por sinal, muito educada e interessada em esclarecer minhas dúvidas), através do número 3642-6708, de que eu deveira ter deixado o carro no local, ou no mínimo desenhado as marcas no asfalto,  e solicitado a perícia discando para o número supracitado.

Como tive que tirar o carro do local do acidente por determinação do “marrozinho”, eu agora deveria me dirigir até um posto do Detran e pagar mais 80 reais para rescontituição de uma nova perícia, já prejudicada pela retirada do veículo do local.

O posto indicado pela atendente foi o localizado no início da Ponte Rio Negro, onde inicialmente fui recebida por um Tenente da PM, que presta serviço ao lado do posto do Detran, que defendeu a conduta do agente de trânsito. Questionado pelo meu marido sobre o procedimento orientado pelo Detran, insinuou que o mesmo não sabia dirigir, perguntando: “O sr. dirige? O sr. dirige? Então esse é o procedimento…”.

transito02.jpg

Conduta bem diferente foi a dos atendentes do DETRAN no posto ao lado, que além de serem educados, ainda me deram conhecimento da portaria  Detran/AM Nº2693/2011, que estabelece que apenas em algumas vias de grande circulação não haverá períca do DETRAN. As vias listadas devem ser liberadas imediatamente, não sendo o caso da Rua Joaquim Sarmento, que não está na lista.

Diante do descaso e falta de uma informação mais clara do poder público, fiz uma pesquisa por conta própria, e descobri que nem DETRAN nem o IMTU querem assumir o dever, que é do governo, de pelo menos marcar o local do acidente com giz  e emitir um laudo inicial.

Também descobri que antes os agentes de trânsito emitiam esses laudos com os croquis do acidente.

Em síntese, de um lado o DETRAN diz que se acionado faz a perícia e que o IMTU deve emitir o croquis, já o IMTU diz que não é obrigado a fazer isso e lava as mão se valendo do art. 178 do CTB da Lei 9.503/97

Como ninguém assume a responsabilidade, caso o condutor mantenha o veículo na via e espere a perícia será multado pelo agente de trânsito em R$ 85,13 e ganhará quatro pontos na CNH.

Caso retire o veículo do local deverá solicitar uma  reconstituição do Detran, que custa R$ 80,00 e já estará prejudicada pela retirada. Como se vê, estamos por nossa conta.

Alguém tem um giz ai?

A moça da foto é a autora do escrito: Hemilyne Abreu.

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