O ladrão do fim do mundo

ladrao_fim_do_mundo.jpgA história de como o inglês Henry Wickham contrabandeou 70 mil sementes de seringueiras da Floresta Amazônica para a Inglaterra no século XIX, escrita por Joe Jackson,  jornalista americano.

J. Jackson é um jornalista investigativo que trabalhou por 12 anos no jornal “The Virginian Pilot”, de Norfolk, Virgínia, EUA e já tem quatro livros em seu acervo.

O autor optou por uma narrativa aventuresca – boa de ler -, em que se misturam fatos, ficção, sonhos, delírios. Não faltam ousadia, doenças tropicais, pragas agrícolas, insetos gigantes, cobras terríveis – nem tinturas anticolonialistas ou antiimperialistas.

Wickham, o contrabandista, era um jovem de classe média na Londres de meados do século XIX. Sem rumo, só parecia gostar de uma coisa: desenhar. Resolveu aventurar-se pelo mundo em busca do que fazer. Rodou por Nicarágua, Venezuela, Austrália, ilhas dos Mares do Sul, Honduras Britânicas (Belize). No meio do caminho estava o Brasil, aonde chegou pela primeira vez em 1870, vindo da Venezuela. Fixou-se (entre idas e vindas) em Santarém, no Pará, no cruzamento Tapajós-Amazonas. Tentou plantar muitas coisas, mas acabou se concentrando na “ciringa”. Por canais semidiplomáticos, enviou desenhos da folha e do fruto da Hevea Brasiliensis para o Real Jardim Botânico de Kew, cidade próxima a Londres, onde pesquisadores ingleses (tal como seus pares europeus) buscavam dar suporte a uma “botânica econômica” de que o Império precisava. Já tinham conseguido, por sinal, contrabandear a cinchona (origem da quinina, única arma contra a malária) da Bolívia e Peru para Ceilão e Cingapura.

Entre trancos e barrancos (não era um especialista), Wickham ganhou a incumbência dos chefes britânicos para coletar e mandar as sementes de seringueira. Teve êxito. Em meados de 1876, levou para a Inglaterra 50 cestos com 70 mil sementes. Dourou a pílula, recobrindo-a de mistério e fantasia. Passou incólume pela alfândega do porto de Belém, recorrendo a dissimulações e despistamento. Muitos anos depois, em 1906, de volta a Londres, não resistiu à bazófia. Disse que as sementes foram embarcadas às escondidas, “sob o nariz de uma canhoneira, que teria explodido nosso barco se seu comandante suspeitasse do que estávamos fazendo”. Jackson duvida dessa ameaça:  “Não havia nenhuma lei brasileira contra a exportação de sementes, mas essa versão virou mito invencível, porque o desejo de identificação com a esperteza era forte entre os servidores do império”.

Só vingaram 3,6% das sementes contrabandeadas pelo “espião de Kew”. Mas, lá cultivadas, e transferidas para o Ceilão e a Malásia (onde se adaptaram perfeitamente), revolucionaram o comércio mundial da borracha de cultivo. Trinta anos depois, Manaus e Belém (cujo apogeu durou de 1880 a 1910) entraram em declínio. Sumiram luxo, ostentação, tecidos e perfumes importados. O Império britânico tornou-se monopolista nisso também. “Ainda hoje, os historiadores não sabem como classificá-lo; foi um patriota ou um oportunista, um visionário ou um fanfarrão de muita sorte?”, pergunta-se Jackson.

Está à venda na Saraiva, por R$ 39,90.

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (Seja o primeiro a classificar este post)

Se você gostou deste post ou não, por favor considere escrever um comentário ou participe do nosso RSS feed para ter futuros artigos entregues ao seu leitor de feeds.

2 Comments

Escreva um Comentário