Golpe do consignado atinge aposentados

O empréstimo com desconto na folha de pagamento, opção mais barata para quem precisa de crédito, virou uma armadilha para aposentados e pensionais endividados. Profissionais que oferecem empréstimos nas ruas, os chamados pastinhas, estão sofisticando a forma de atuação ao aplicar um golpe condenável. Em sua maioria representantes de bancos de pequeno porte, eles agora ligam para a casa do devedor para oferecerem a troca da prestação por outra de mesmo valor e uma bolada em dinheiro na conta-corrente. Não revelam, porém, que a tramoia envolve a contratação de um novo financiamento, mais longo que o primeiro, e uma comissão polpuda, cobrada sem que a vítima perceba. Em março, problemas como esse renderam, em média, três queixas diárias ao Banco Central, totalizando 72 reclamações. Na comparação com o mesmo mês de 2010, houve um aumento de 22%.

Os números dos últimos seis meses chamam a atenção. Foram 571 casos, com destaque para dezembro de 2010, mês do 13º salário, quando 168 ocorrências (uma média de sete por dia) foram registradas no BC. Boa parte delas envolveu o crédito consignado — com desconto em folha — contratado em instituições financeiras com menos de 1 milhão de clientes. Há todo tipo de situação, como casos que envolvem documentação falsa do aposentado, ausência de documentos e da assinatura do titular do empréstimo, esclarecimentos incompletos, liquidação antecipada do débito feita incorretamente, concessão de crédito sem a presença do pensionista e restrição à portabilidade — transferência do contrato para outro banco da preferência do cliente. Os principais alvos dessa prática são os servidores públicos aposentados, especialmente em Brasília e no Rio de Janeiro, capitais que reúnem o maior número deles por concentrar também a maioria dos servidores públicos federais.

Sérgio da Luz Belsito, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), acusa o governo de omissão em casos como esse. “O BC já começou a regulamentar os pastinhas, mas é preciso mais. Existe uma relação de promiscuidade entre esse profissional e os bancos, o que faz o consumidor sempre sair perdendo”, critica. A maioria dessas operações ocorrem por telefone ou na rua. No centro de todas as capitais é possível ver pessoas com uniformes de instituições financeiras e pranchetas e pastas nas mãos — daí o apelido de pastinha — oferecendo crédito.

Os consumidores são abordados e, na maioria das vezes, assinam contratos apressadamente. Depois, não há reversão. Com o documento assinado na mão, banco nenhum retrocede.

Correio Braziliense – 02/05/2011

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