NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

Aproveitando o gancho sobre o post “Procura-se um dicionário”, que abordou o rebuscado despacho escrito por um magistrado do Mato Grosso do Sul, lembrei de algumas deturpações praticadas em cima de expressões populares e que de tanto reproduzidas terminaram por ganhar legitimidade.

Quem nunca ouviu a conhecidissíma “não prega prego sem estopa“? Mas, o que a estopa tem a ver com o dito popular? Nada. não se encaixa. O correto é “não prega prego sem escopo“, ou seja, sem objetivo, sem finalidade.

Também a expressão “dar uma pala” e o seu diminutivo “dar uma palinha“, adquiriu uma nova forma: transformou-se em “dar uma palhinha“. Pala é um enfeite de vestido feminino, uma dobra perto da gola, ou aquela parte do boné, também chamada aba. É um ornamento e em sentido figurado situa-se como uma coisa secundária. Daí a expressão “dar uma pala“, ou seja, resumir, adiantar o assunto, dar apenas uma pista do que se vai dizer. Por extensão, chegou-se a “dar uma palinha“, que significa ser ainda mais sucinto.

E a usual “escarrado e cuspido“, empregada quando se quer realçar semelhança física ou de comportamento entre duas pessoas, mais precisamente entre parentes: Fulano de tal é o pai escarrado e cuspido . Bem, há uma velha teoria de que esta expressão seria a corruptela de “encarnado e esculpido“, antiga frase que se referia a imagens de santos. Outra vertente afirma que a corruptela deriva da expressão “em carrara esculpido“. Esta última é uma alusão à perfeição das esculturas de Michelangelo, pois carrara é um mármore da Itália e foi bastante usado por ele

Enfim, qualquer uma das duas versões faz mais sentido que a anti-higiênica “escarrado e cuspido”.

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