O dilema de residir na comarca
O texto abaixo foi escrito por Francisco Soares Reis Junior, Juiz de Direito da Comarca de Humerto de Campos/MA, replicado pelo ótimo O Parquet.
O relato do magistrado maranhense não difere da realidade vivenciada por juízes amazonenses que atualmente execercem a função no interior do nosso Estado.
“Chegou a vez de dar meu testemunho sobre a vida de um magistrado em uma comarca do interior do Maranhão.
Ingressei na magistratura em dezembro de 2003. Casei em janeiro de 2007 e me tornei pai em agosto de 2007.
Após os primeiros meses do nascimento de nosso filho, decidimos eu e minha esposa que o ideal seria a permanência da família unida todos os dias da semana.
Solução mais óbvia: morarmos permanentemente na Comarca.
A cidade era Humberto de Campos. Após alguns dias de procura, verifiquei que não havia qualquer imóvel disponível para locação em condições mínimas de higiene e salubridade.
Única saída: comprar uma casa e providenciar sua reforma.
Preço do imóvel: R$ 28.000,00 (valor pago em oito prestações iguais de R$2.500,00 e uma entrada de R$ 8.000,00). Com a reforma, foram mais R$ 40.000,00, fruto de reservas, já que se tratava de meu primeiro imóvel, e de um recebimento de cerca de R$ 18.000,00 referente ao pagamento da Parcela Autônoma de Equivalência, em março de 2009.
Primeira polêmica e desconforto: A decisão foi tomada logo após as eleições municipais de 2008, de modo que surgiu uma série de insinuações na cidade de que eu estava recebendo subsídios do prefeito municipal para a reforma do imóvel. Coisas do tipo “Bom mesmo é ser juiz nos Lençois Maranhenses, já que recebe carro e casa do prefeito”.
Houve, inclusive, divulgação dessa injúria, por meio de um pasquim apócrifo, em todas as ruas e comércios da cidade.
A revolta foi imediata. Não houve como não ficar desgostoso e arrependido da decisão recém tomada.
No entanto, já havia feito o investimento e não via melhor solução para permanecer próximo da minha esposa e do meu filho, o qual tinha, na época, 01 ano e 05 meses de vida.
Então, engoli o orgulho e a chateação e fui morar com toda a trupe na comarca.
A idade tenra do meu filho e o fato de minha esposa ter se graduado em Arquitetura há menos de 06 meses possibilitaram que ambos pudessem se desprender dos laços existentes em São Luís em prol de nossa família unida no interior do Estado.
Não foram poucos os conselhos e alertas de amigos e de familiares sobre a aventura despropositada que estávamos tomando. Afinal, segundo a visão preconceituosa deles, “nenhum magistrado residia no interior”.
Sabia que era mentira tal opinião, fruto do senso comum de boa parte da sociedade. Mas também já imaginava que seriam dias de muitas mudanças!
Assim, fomos de malas, bagagens e demais bichos de estimação. Era abril de 2009.
No início, tudo foram flores. Euforia pela casa nova. Brincadeiras constantes com nosso filhinho. E até fizemos amigos na vizinhança, a maioria bem humilde, porém zelosos e divertidos.
Até o primeiro incidente!
Como ficávamos também os finais de semana em Humberto de Campos, passamos a convidar alguns amigos novos para almoços e para passar a tarde no quintal de nossa residência. (É incrível nosso poder de se adaptar aos novos ambientes e a procurar a felicidade seja da forma como ela se apresentar).
Pois então, como dizia, até o primeiro incidente, ou melhor, trauma. Explico.
Durante a reforma da casa, percebemos que o eletricista contratado, que se apresentou como Moisés, era um sujeito bem competente e mais educado que os demais trabalhadores da obra.
Assim, naturalmente, mantivemos uma amizade preliminar, com o qual mantinha conversas amistosas e que freqüentou minha residência algumas vezes.
Até que um dia, na sala de audiência, o Delegado de Polícia de Humberto de Campos me telefonou e informou que estava com um mandado de prisão a ser cumprido contra dois suspeitos de terem assassinado um policial militar no interior do Pará e estavam se escondendo em nossa cidade.
Acrescentou que havia alguns policiais civis paraenses que tinham se deslocado para recambiar os presos até a comarca onde se consumou o delito.
Requisitei que me apresentassem a decisão e o mandado judicial e, após a prisão dos suspeitos, que fossem submetidos a exame de corpo de delito e conduzidos perante este magistrado.
Para minha enorme surpresa e arrepio: eram Moisés e sua companheira as pessoas procuradas. Ainda perguntei a ele se era verdade aquela acusação e ele nem tentou negar.
Havia inúmeras fotografias do policial morto. E, na minha cabeça, só veio a imagem de que, no início da manhã daquele mesmo dia, ele havia ido até minha casa, a meu pedido, consertar o chuveiro elétrico do quarto do meu filho, com o qual ainda brincou por alguns instantes.
Na volta para casa, tive a maior cautela de contar a história para minha esposa e pedi que não a reprisasse para a babá nem para a empregada.
O susto daquele momento virou trauma depois. Não fizemos mais qualquer almoço. Não saíamos mais de casa, a não ser para o Fórum, para o pequeno comércio do “Ribinha” e para levar meu filho Otávio à sua escola-creche, situada no bairro da Bacabeira.
Ah, por falar em escola. Não existem escolas particulares em Humberto de Campos. Não que me informaram. Por isso, decidimos pedir para a Diretora do Jardim de Infância “Cebolinha” para que pudéssemos matricular nosso filho, mesmo após o período adequado.
A verdade é que a escola não tinha recursos pedagógicos suficientes. Era mais um lugar para as crianças passarem a manhã e, essencialmente, terem a principal refeição do dia.
As professoras não eram preparadas e nem motivadas. Mantivemos nosso filho lá unicamente pelo aspecto da sociabilidade com outras crianças. Além de que, por ser filho do Juiz da Cidade, ele chamava a atenção de todos, o que prejudicava seu natural entrosamento e aprendizado.
Na realidade, ele foi poucas vezes à escola. Passava o dia em casa assistindo televisão e brincando com brinquedos educativos que trazíamos todas as semanas de São Luís.
Sim, voltamos a ficar no trânsito rodoviário Humberto de Campos/São Luís/Humberto de Campos. Íamos para São Luís depois do almoço de sexta-feira e voltávamos após o almoço de domingo.
Quase ia esquecendo. Por duas vezes, nosso filho pegou ameba e teve crises intestinais. Certo dia, tivemos que vir às pressas para São Luís, pois lá, mesmo com médico pediatra, não há como realizar exames e prescrever simples tratamentos confiáveis. Nessa mesma ocasião, quando fomos comprar o medicamento ministrado, as farmácias já estavam fechadas e, mesmo com a insistência, não havia o remédio no estoque.
No entanto, fomos nos acostumando com as limitações da cidade e nos antecipando a eventuais necessidades.
Porém, a rotina foi tomando conta de nossos dias. Como ocupação, assistíamos a muitos canais na televisão por assinatura, corríamos nos finais de tarde na entrada da cidade, em plena rodovia, e estudávamos boa parte do tempo.
Ocorre que, com o passar dos meses, minha esposa e filho foram ficando entediados daquela situação. Ela, por não encontrar emprego, já que não havia oportunidades na iniciativa privada nem o Município realizou qualquer concurso público para contratação de servidores. E pedir emprego para o Prefeito Municipal era fora de cogitação. E ele, por ficar preso em casa a maior parte do dia, além de que já achava muito mais animado os dias em que passávamos em São Luís/Ma.
Assim, em dezembro de 2009, resolvi dar um basta.
Aquela situação estava se tornando insustentável, inclusive para o equilíbrio do casamento.
E, unilateralmente, decidi que minha esposa e meu filho deveriam retornar para a capital do Estado.
Hoje, ela está trabalhando como profissional liberal em inúmeros projetos de ambientação e arquitetura. Já ele estuda na Escola Crescimento e adora a sua “tia Cláudia”.
A família vai ficar separada fisicamente durante os dias da semana. Mas unidos no amor. Não encontro outra solução.
Hoje, eu compreendo melhor o conceito de “celibato”. Nós, magistrados e promotores de justiça do interior desse Estado, optamos por essa condição.
Só que ocupamos funções de Estado por mérito e esforços próprios. E não podemos ser condenados por desejar as melhores condições de vida para nossos familiares.
Ademais, tenho sérias dúvidas sobre as vantagens de um magistrado residir na comarca. Ele estará privado de inúmeras atividades, limitado em suas amizades e exposto a comentários maledicentes com mais freqüência.
Por outro lado, tenho certeza de que, se a infra-estrutura de nossas cidades do interior fosse adequada, a maioria dos juízes levaria suas famílias e lá residiriam com tranqüilidade. Até porque ninguém em sã consciência, penso eu, tem prazer em trafegar semanalmente nessas rodovias de nosso Estado.
Hoje falo, após ter vivido a experiência, por dever de fazer um contraponto a opiniões de pessoas que nos julgam gratuita e maldosamente.
E, aos que organizam e escrevem os blogs que tratam constantemente de assuntos sobre o Poder Judiciário do Maranhão, concito que convide os magistrados para contribuírem com o debate e para que a população nos conheça melhor, quando terão a oportunidade de se surpreender com homens e mulheres porta-vozes do bom-senso, das transformações sociais e de uma visão crítica do direito.”
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Gosto muito da sua página; nela encontro os relatos que expressam a natureza humana e, sobretudo, aquele tom individual que mostra o apreço à comunicação bem feita.
Isso são os ossos do oficio, que vivenciamos em qualquer atividade da vida e não somente na magistratura, me pareceu este magistrado ser “muito sensivel “
Fico imaginando a mesma história se o magistrado fosse do TJAM e tivesse que residir por exemplo em Fonte Boa ou Carauari…, deve ter gente achando que morar em um lugar onde dá para ir voltar para capital de carro no final de semana é um “paraíso”
Entretanto, tem um bom salário e podes ecolher onde morar… e o Policial, que é obrigado a conviver ao lado do bandido que deve prender e que depois a nossa lei irá soltar…
Primeiro gostaria de parabenizar pela iniciativa do blog, já que é a primeira vez que aqui escrevo, apesar de já me interessar por seus escritos há algum tempo!
Já quanto ao relato do magistrado maranhense, por mais que concorde com a ausência de estrutura em munícipios do interior de nossa Nação, é inegável que o mesmo tinha completa ciência quando da realização do concurso que o mesmo poderia ser deslocado para comarcas mais afastadas!
Ora, ele esperava ficar somente na capital? Não leu o edital do concurso?
Por fim, há uma última alternativa ao magistrado: pedir exoneração e retornar para São Luís!
Não se pode ter tudo ao mesmo tempo nobre julgador!
achei um tanto exagerado o relato.
toda profissao tem os onus e os bonus e com a magistratura nao e diferente.
alias, por exercer um cargo de alto risco, todo magistrado deve ter consciencia da necessidade de selecionar suas companhias e nao escancarar a sua vida para qualquer um.Ao colocar gato e cachorro pra dentro de casa e se tornar amigo de infancia deles, o juiz assumiu seriissimos riscos. Nao acho que deva levar uma vida de hermitao, mas e crucial filtrar com muita prudencia e cautela aqueles que farao parte de seu circulo.Infelizmente dificilmente se fazem amizades verdadeiras e desinteressadas durante a estada na comarca. Na realidade, a companhia do juiz serve apenas para dar status.
No mais, ele deu sorte de nao ser lotado em ipixuna, itamarati, envira, sao paulo de olivença…e feliz e nao sabe.
Me abstendo de comentar o resto do texto (agruras há, enfim), me chamou atenção o trecho sobre a educação do pimpolho:
“A verdade é que a escola não tinha recursos pedagógicos suficientes. Era mais um lugar para as crianças passarem a manhã e, essencialmente, terem a principal refeição do dia.
As professoras não eram preparadas e nem motivadas. Mantivemos nosso filho lá unicamente pelo aspecto da sociabilidade com outras crianças. Além de que, por ser filho do Juiz da Cidade, ele chamava a atenção de todos, o que prejudicava seu natural entrosamento e aprendizado.”
Escola boa pra “educar” as “outras” crianças, mas não o filho dele. E ele, como magistrado responsável, entre outras coisas, pela justiça da infância e juventude, nada fez, gestionou ? Pois esse tipo de inércia é que ajuda o nordeste a continuar como está.
Brilhante!
Um pouco dramático… digno de big brother…
Tá querendo passar no concurso público e só aproveitar as regalias? Tá de brincadeira… todo mundo passa pelas comarcas iniciais. Todo mundo passa pelo sofrimento de começo de carreira; Todo mundo, uma hora chega a uma comarca melhor… é natural.
gostei muito do depoimento. foi sincero, e expôs a realidade dos juízes nas comarcas do interior. Em que pese os que pensam de forma diversa, e com todo o respeito e admiração as demais categorias profissionais, não acho e não acredito que se possa comparar Juízes com demais categorias profissionais. Somente neste país é que isto acontece. Não vou deter – me nos detalhes destas diferenças, que parecem tão óbvias, mas por alguns não desejadas. E, quando tudo acontece de errado no país é a classse dos magistrados que atendem os reclamos da sociedade e faz a justiça, salvo raríssimos casos. Estou para publicar um artigo que versa, dentre outros aspectos, as situações relatadas pelo nobre JUiz.lo E, ao mostrá – lo para pessoas próximas foram unânimes estas em aconselhar – me a não publicá – lo. Mas, em que pese tais conselhos, estou pensando seriamente em publicar tal artigo, após ler o depoimento do ilustre magistraddo, mesmo sabendo da exposição a que se sujeita. Já é hora de evidenciarmos a realidade de nossas vidas, e não ficarmos com receio de receber as inevitáveis críticas. POr estas e por outras é que sofremos tantos revezes, por não colocarmos exatamente as circunstâncias das vidas dos julgadores, do quanto é dificil – embora saibamos disto quando da escolha da profissão -. Em outros países,ditos do primeiro mundo, isto é totalmente diverso, há um respeito pelo Judiciário. Desculpem – me o desabafo, sem querer olvidar que devem existir sempre opiniões diversas sobre um mesmo assunto e tema, devendo todas serem respeitadas.
ficou faltando um trecho do meu comentário. Disse em determinado trecho que ao ler o comentário do nobre magistrado, pensei em publicar um artigo que trata, dentre outros aspectos, da realidade por ele narrada. E, continuando, ao mostrar tal artigo a pessoas próximas, estas aconselharam – me a não publicá – lo. Mas, agora, em que pese tais conselhos penso sinceramente que é hora de evidenciarmos a nossa realidade.
Ainda ão conhecia este site, mas estou gostando. O depoimento do Juiz é muito interessante e sincero. Parabéns a ele e espero que logo seja promovido para ficar perto da família.
Caros Colegas,
Também sou magistrado e passei pelo mesmo processo que o Carlos.
Após ler os comentários, fiquei preocupado com a compreensão do que foi escrito.
Tenho liberdade para falar, na medida em que sou magistrado do trabalho desde 1998, sendo que em 2005 foi removido para uma cidade do interior do estado de Mato Grosso, sendo que hoje nela resido junto com meus dois filhos sendo que o mais velho possui apenas 3 anos.
Resido na comarca por questões familiares (para morar com minha esposa e filhos) e ideológicas (acredito que o juiz deve estar presente na sociedade em que atua).
Reconheço as dificuldades que nascem dessa decisão. Quanto menor a comarca, mais próximo estará o juiz da sociedade. Quanto mais próximo o Juiz está da sociedade, mais distante estará das pessoas.
Para os juízes, como bem colocado pelos colegas do Blog, faz parte da profissão. Mas para nossas famílias há um custo elevado que não é exposto para a sociedade.
Do episódio, chamo a atenção para algo que vem se perdendo ao longo do tempo. A Judicatura não pode ser analisada pela sociedade como uma profissão. O juiz não pode ser confundido com o ser humano que a exercer. Funções e pessoas não se confundem. Vejo na manifestação do Carlos a expressão do Marido e Pai que se preocupa com sua família. Daí porque, apesar de não concordar com a atitude, a respeito de forma plena.
Suspeito que a Elizabeth ou é a esposa ou a diretora da vara do magistrado, hehe! Brincadeiras a parte, defender que juiz não é como qualquer outro servidor é no mínimo querer polêmica! E olha que escrevo isso no blog de um juiz hein!
Concordo em genero, número e grau com a Excelentíssima Senhora Doutora Elisabeth, Juízes não são iguais às demais categorias profissionais seculares. O exercício da magistratura somente se equipara ao exercício dos poderes divinos! E, por favor doutora, não deixe de publicar seu artigo dando ouvidos a essas reles vozes humanas e falíveis. Pense bem, seu artigo, com toda a certeza do mundo, tem potencial para se tornar o 28º livro do Novo Testamento. Não nos prive de mais uma revelação celestial.
Percebe-se destes comentários acimas, que há juízes comentando no blog em plena tarde ( 3:47 pm ) de um dia útil. Será que estão com os serviços em dia? É…pode ser..
Poxa, Ricardo, as intervenções estão ajudando a enriquecer o debate e vc me sai com essa pérola. O juiz pode estar fora do expediente (o meu encerra às 15:00), férias, licença…
É…pode ser…
Tem gente demais com dor de cotovelo por aqui, Dr Zamith. Querem detonar a magistradura, mas ignoram a importância do magistrado na pacificação social. Outra coisa, juiz não é servidor público, é agente político. E isso faz muita diferença, mas explicar isso pra quem não quer entender não vai adiantar nada.
Detalhe: não sou juiz.
Qual a razão de o “infeliz” magistrado não ter feito concurso para Juiz Federal? Ministério Público Federal? Ou mesmo ter prestado concurso para Juiz Estadual nos Estados do Sul e Sudeste? O cara fica de chororô e aposto que quer só o bônus. O ônus, ninguém quer. Acho que ele está na profissão errada. Quem sabe uma plantação de batatas resolvesse? Não tenho pena. Fez concurso sabendo que mora num Estado pobre com interior paupérrimo. Quer o quê?
Eu não ia comentar, mas pendeu para a inversão de valores, aí já sabe, eu não aguento.
“Juiz não é servidor público, é agente político”.
QUAL SOCIEDADE precisa de um “agente político” que tem “nojinho” de sua própria cidade e de seus cidadãos, a qual fui justamente incumbido de zelar/administrar, desempenhando portanto a sua prerrogativa republicana?
Não confundam, o papel do MAJESTOSO juíz foi sim de “servidor público”, melhor ainda, de mero “plantador de batatas” que no fundo só quer saber de cultivar seu próprio pé de batatas.
Muito pertinente o relato do magistrado, como muitos aqui comentaram, este já devia estar ciente das possíveis dificuldades a cerca da profissão para quando para esta concorreu, é fundamental que o magistrado resida na comarca para qual foi designado a fim de exercer sua função, com o intuito de conhecer e estar próximo dos problemas jurídicos, sociais, economicos do qual fazem parte daquela comunidade.
Otávio, tu sabes a diferença entre servidor público e agente político?
Excelente texto do magistrado, retrata a MAIORIA dos casos de juizes que atuam no interior de todo o Brasil.. Passando muitas vezes por dificuldades, mas passando por cima disso em prol do direito e de sua vocação..
Olha não tem coisa mais deprimente que choramingos de quem deveria ter uma postura mais firme e reta. Relatos assim, me deprimem sinceramente, é sério. Não estou querendo também dizer que todo juiz deva ser um forte e atilado, aliás são humanos com seus altos e baixos. Dizer que morar no interior é um dilema, é no mínimo uma falta de bom senso e respeito para os interioranos . Até parece quem moram nesses interiores do Brasil são degradados ou penitentes de um pecado grave. Aliás, chega até o exagero de falar que o tal relato seja um “testemunho” de um sofrimento inenarrável. Ora, tantas e tantas famílias que são desunidas por diversos fatores, e isso não é problema para nenhuma delas. O próprio cansaço e a agitação das capitais já fazem as famílias se desencontrarem no próprio teto de casa. A Magistratura deveria ser realmente para quem é vocacionado, além do mérito e a qualificação, hoje há uma miopia de enxergar apenas os bônus e não os fardos que o serviço público carrega. O magistrado reclama das condições higiênicas e insalubre, a falta de educação adequada para o seu filho, a falta de oportunidade para esposa. Enfim, como se isso fosse um direito certo seu. Não é só ele que que precisa disso tudo e mais alguma coisa, mas todos os munícipes, reclamando para apenas para si, é até egoísta. E não vejo o que a falta disso tudo possa ter contaminante para a vida de servidor público. Imagine, o martírio do nobre juiz se por felicidade ele conhecesse os interiores do amazonas que as passagens aéreas são caras o ano todo, as viagens de barcos longuíssimas e as nossas estradas!!! Ops!! Que estradas? O nobre e respeitado juiz reclamando que tá indo no conforto do seu carro visitar a sua família nos finais de semana, nem de longe ele imagina a sorte que tem. É preocupante tudo isso, infelizmente!!!
Acho que acontece aqui o famoso ditado “os justos pagam pelos pecadores”…
Até por força de lei, o juiz não é igual a qualquer servidor público, ante as várias obrigações/limitações que tem, social e profissionalmente. Para transformar o Juiz em apenas um servidor público bem remunerado (e o uso do “apenas” aqui não tem o intuito de desmerecer a classe dos servidores, à qual pertenço), deveriamos parar de policiar sua conduta pessoal na vida privada, permitir que tenham outras fontes de renda, entre outros.
À exceção de algumas vantagens que, pessoalmente, considero injustas (férias de 60 dias + recesso de 20 no fim do ano, por exemplo), acho que as demais garantias dadas ao juiz favorecem à sociedade, que precisa de juízes fortes e independentes para decidir de forma imparcial as causas que lhe são submetidas. Todos devem se perguntar a quem interessa desmoralizar o judiciário e a figura do juiz?
É claro que, como em todo lugar, há maus profissionais, tecnicamente falando. Há, também, aqueles que são bons profissionais técnicos (decidem rápido e bem, etc), mas são maus seres humanos: arrogantes, grosseiros e estúpidos.
Uma vez ouvi de um advogado algo mais ou menos assim: em uma ação, os dois litigantes têm certeza absoluta de sua razão. Para aquele que ganha, o juiz não fez nada mais do que sua obrigação, ao decidir em seu favor. Para aquele que perde, o juiz só pode ser burro, corrupto e parcial, pois onde já se viu julgar de tal forma?
Mas em se tratando do tema do post, acho que o juiz deve morar na comarca apenas para fins de facilidade a seu acesso quando necessário. Esse negócio de ficar perto da população para conhecer a sociedade pode ter sido verdade no passado. Hoje em dia até atrapalha a imparcialidade nas decisões e impessoalidade, que é um dos princípios da administração pública. Há juízes, nas grandes cidades, que dirigem 20, 30 40 km para ir de casa ao trabalho. Não vejo mal nenhum em um juiz de uma cidade muito precaria more em uma vizinha que lhe dê mais conforto e à sua família, DESDE QUE ele se faça presente no fórum todos os dias, no horário de expediente. Afinal de contas, hoje em dia é muito comum ficar uma hora ou mais no trânsito para chegar e voltar do trabalho…
Caro Ricardo,
Apesar de não ver a menor relevância na colocação, registro que no Mato Grosso, o expediente forense é das 7:30 às 14:30 horas. Com relação aos serviços, na Vara em que trabalho, salvo raríssimas exceções, o prazo médio para uma audiência inicial é de 16 dias. Instrução, 27 dias. Julgamentos sistematicamente em 10 dias. Despachos em 24 horas após o protocolo.
Não estou demonstrando qualquer vantagem. Faço minha obrigação. Nada mais.
A idéia de participar do forum nada mais é que a possibilidade de um diálogo aberto com a possibilidade de crescimento pessoal.
Forte abraço
Gerson, e “tu” conhece a falácia Argumentum ad hominem?
João, acorda as 4 da madrugada para poder tomar banho enquanto ainda tem agua (fria claro)depois sai na escuridão para chegar a tempo de pegar um dos primeiros onibus, sem tomar cafe, pega o onibus lotado e desce no terminal, pega outro onibus cheio ja com sol quente, ai chega no trabalho camela o dia todo no sol quente, almoça nos 15mn que da e volta ao sol quente. Há! o filho de João de 7 anos vai para escola sozinho, estudar com professoras despreparadas, pois a mãe tambem saiu cedo para trabalhar em uma casa de familia e so volta pelas 8 da noite, João chega no fim do dia suado, cansado e não tem agua em casa para tomar banho, vai dormir sujo para novamente acordar de madrugada e no fim do mes recebe um salario minimo.
COMO EU TENHO PENA DE JUIZ QUEM TEM QUE RESIDIR EM COMARCA DO INTERIOR, mesmo aquelas que são fronteira com Colombia, nossa QUE PENA. Minha mãe foi juiza no interior, morou em inumeros interiores do Amazonas, e tinha 5 filhas. A vida e assim se tem os louros e os onus, entao o que nos resta e tentar tirar o melhor de tudo, principalmente quando se tem um salario descente no fim do mes, esse e o preço: morar no interior e SORRIR NO FIM DO MES, em vez de RECLAMAR. Agradecer que pode dar uma educação e moradia descente a seus filhos e cumprir com as suas obrigações com o povo carente do interior.
Se nao aguenta o interior faz que nem alguns e vai advogar para ver como e facinho…facinho…rs (to acida hoje)
Faço das palavras da Lu as minhas.
Gerson, meu caro, não morda a isca…
Fique claro que em momento algum ataquei ou me dirigi à pessoa aqui, falei sim do “agente político” me referindo a uma corrente, ao meu ver incoerente, que estava começando a se formar aqui, no sentido de considerar o juíz um servidor público de especial importância com relação aos demais da classe.
Que concordo plenamente. Mas, ao meu ver, não foi externado pelo juíz citado, que se preocupou demais com a forma e não com a essência. Virtude esta própria de um “agente político”.
Parece que meus comentários estão sendo muito mal interpretados aqui. Quando há um argumento incoerente ou equivocado, ataca-se o argumento ou censura-o, mas em hipótese alguma ataca-se a pessoa do argumentador (salvo excessões em que o argumento do argumentador é desconexa com sua própria postura, o que definitivamente entendo não se aplicar ao meu caso).
Certa vez um amigo me disse que uma coisa é você sair debaixo e subir, outra é estar lá em cima e descer. Só quem já morou em ap de cobertura e agora tem que viver num ap de BNH é que sabe o quanto isso é difícil…
Isso vale para quem nasce na capital estuda em escolas cujos professores desconhecem a realidade e diversidade do País e vivem num mundo de maiores facilidades.
Essa sua experiência é semelhante à dos médicos, militares, engenheiros, professores e tantos outros que, para quem nasceu no interior conhece. Nunca vou me esquecer do Dr Celso Rauen, em Xanxerê-SC que não podia nem assistir um filme pois logo era chamado pelo alto-falante para atender uma urgência. A reportagem sobre as parteiras, no globo rural é outra lição exemplar de abenegação e dedicação humana.
O que deve ser mais difícil para um juiz é não poder trocar confidências ou se aconselhar para melhor abalizar suas decisões. Creio que o que consta dos autos é insuficiente para um melhor juízo. Muitas informações advém de inconfidências e comentários ouvidos aqui e acolá que podem ajudar a elucidar determinados processos. Uma outra é se policiar sobre o quê e com quem falar.
O seu blog é uma universidade aberta e a sua experiência no interior foi uma pós-graduação que nenhum título pode lhe conferir.
O meu receio não é com a visão de mundo de quem nasce na capital e se impacta com a miséria do interior, a preocupação maior consiste na tolerância com drogas, costumes e certas relações que o “novo profissional” levará consigo e influenciará suas decisões em alguma comarca.
Todos sempre reclamam de tudo, no entanto, quando um juiz se queixa de algo ele é severamente criticado e as pessoas, de forma irônica, não hesitam em sugerir que ele abandone a carreira. Ora, isso me parece inveja de um cargo tão cobiçado.
O fato de o cargo de juiz ser uma excelente função, em termos de dignidade e de salário, não elimina os problemas e os incômodos do cotidiano, que certamente podem ser objeto de reclamação pelo simples fato de incomodarem e de o magistrado ser uma pessoa como outra qualquer, com satisfações e desagrados. Por isso, não acho que ele tenha reclamado de “barriga cheia”.
Esse desabafo do magistrado em nada lhe desmerece e serve para mostrar aos desavisados, alheios à realidade, que a função de juiz não é só feita de glamour e de poder, ao contraio, é feita de desafios diários e trabalho árduo.
ANDRE VAI FAZER CONCURSO, já que a função de um juiz NÃO É SO GLAMOUR E PODER, rs, e esse cargo cobiçado desperta INVEJA, rs. Aproveita e faz concurso para Juiz no MEXICO, que vai combinar com seu GLAMOUR E INVEJA, rs.
Se eu tivesse que ter inveja de alguem na vida seria do EIKE BATISTA, não de um juiz que trabalha em uma sala com moveis que ele não escolheu, com uma vista que ele não escolheu, com pessoas que ele não escolheu e ainda tem salario fixo no fim do mes, independente se trabalha mais ou menos por isso (os honestos). Meus voos são mais altos….. E MAIS LIVRES.
Essa do Eike Batista foi podre….risos…E tu deve ser uma recalcada(o) e com inveja daqueles juízes q ficam no interior e isso apenas pelo dinheiro. Acredito q vc chegar a ser a pessoa, ou melhor, uma das pessoas mais ricas do país (como é o Eike, acredito que no mundo ele está entre os 15 primeiros) vai ser difícil. Mas, quem sabe vc consegue arrumar uma Luma de Oliveira. risos…. Outra coisa….vai estudar recalcada(o).
Sou juíza do Paraná. Depois de 10 anos no interior exerço minhas funções na Capital. Conheço o nordeste e o norte do Brasil a passeio e apenas posso imaginar as dificuldades que os colegas passam nas Comarcas mais distantes.
Mas, ainda que juíza no sul do país morei por anos em cidades minúsculas, miseráveis e muito distantes de Curitiba, onde nasci e fui criada. Fui para o interior sozinha com minha filha de apenas 3 anos e nunca me passou pela cabeça não residir na Comarca, porque este é um dever primário do magistrado. Eu morei em casas de madeira com frestas nas paredes por onde passava um frio de cinco graus negativos. Morei em uma casa que tinha escorpiões, caranguejeiras. Em outra tinha cobras no jardim. Em outra Comarca eram as vacas que invadiam meu terreno.
Fui ameaçada e tive minha casa invadida quando morava em área de fronteira e dominada pelo tráfico.
Minha filha estudou em 6 escolas diferentes em 5 cidades diferentes. E a escola era aquela que tinha na Comarca, boa ou ruim ela estudava com todos. Nunca achei que isso fosse um problema e ela foi criada para NÃO ser a filha da Juíza, mas apenas mais uma criança. Eu nunca me portei como se fosse superior aos demais, porque efetivamente não sou.
A “má qualidade do ensino” nunca foi problema para minha filha, que hoje está com 15 anos, no segundo grau sem nunca ter reprovado. Teve suas dificuldades, suas deficiências crônicas (como na matemática), mas é inteligente e capaz. Sem falar que a experiência que ela teve de conviver com pessoas que nunca fariam parte de sua vida se estivesse na Capital é impagável.
Sempre passei meus fins de semana na Comarca e nunca deixei de ter amigos (que são verdadeiros até hoje), basta saber escolher.
Apesar da aparente dificuldade, eu NUNCA reclamei e tão pouco achei ruim. Eu sempre soube que seria assim e ao prestar concurso para a Justiça Estadual sabia exatamente o que me esperava.
Acho que reclamar daquilo que é inerente ao cargo revela fraqueza, com perdão dos que pensam diferente.
Um Juiz que acha que a Comarca em que vive não é digna de sua nobre pessoa e família não merece a toga que enverga.
No mais, quem pode se dar ao luxo de morar perto da Capital e ir e voltar todos os fins de semana é um privilegiado!
Para ser sincera, se hoje pudesse escolher voltaria para o interior, onde eu tinha TEMPO o bem mais precioso de nossos dias. Hoje estou em uma Vara da Fazenda com mais de 90.000 processos, dirijo 30km para trabalhar e não tenho tempo para NADA, nem mesmo para almoçar com a família reunida. Quando chego em casa estou tão cansada que quero apenas dormir. Tenho amigos, mas não tenho tempo de visitá-los. Tenho família, mas quase não falo com eles. Esta é a realidade de uma grande cidade, que nos engole e nos faz simples automatos.
Por isso, todos os dias sinto uma saudade imensa dos meus 10 anos no interior, mesmo da minha casa horrorosa com frestas na parede.
Esta é a realidade de todos os Juízes Estaduais, nada mais. Não é castigo divino, nem injustiça terrena. É apenas fruto da vida pela qual optamos ao prestarmos concurso.
Abraços a todos
Ao Ivan e demais que contribuiram para o enriquecimento do debate, meu objetivo aqui no blog é que se continue a fazer crítica séria ao Judiciário e para que não se jogue todos os juízes num estereótipo negativo, que desestimula os bons e só incentiva os maus.
Comentários como o seu ajudam esa briga.
Para o sem nome:Pra denominada Lu diz:
Querido eu estudo TODOS OS DIAS, não para concurso, e não tenho inveja de Juizes porque minha mãe foi Juiza de interior e depois da Capital, FELIZ, DILIGENTE E HONESTA. Mas eu não nasci para ser Juiza, por convicção, não preciso de emprego publico e graças a muito trabalho ganho muito mais que Juizes ou desembargadores, um salário de juiz não paga nem a minhas contas fixas do mes. HÁ!!!, e eu não quero ser o Eike Batista, so falei que SE FOSSE para ter inveja eu teria dele, mas, REPITO MEUS VOOS SÃO ALTOS E LIVRES, longe de cargo publico, cada um na sua. Quanto aos juizes admiro aqueles que são por vocação, não por salario ou estabilidade, e principalmente os que são HONESTOS e DILIGENTES pois sei na pele o que um juiz do interior passa e os da capital tambem, mas se escolheu essa profissão entao tem que honra-la e não reclamar.
Passe bem seu SEM NOME.
e EU SOU MULHER E ADVOGADA COM ORGULHO.
À Luciane, parabéns pelo comentário sensato, porém coerente. São comentários como esses que eu tenho um enorme respeito.
Se me permite, ainda acrescento que o papel do juiz não pode ser de expectador dessas mazelas do interior, ele deve ser mais atuante, pois está a frente de um poder muito importante que é o judiciário, que atua efetivamente na política do município assim como o executivo e legislativo, ou seja, deve sim além de vivenciar as dificuldades, agir buscando solucioná-las. É isso que penso, pra mim um juiz que fala de modo pejorativo da cidade e dos seus cidadãos sem a menor nuance de buscar melhorias, como bem você citou “não merece a toga que enverga”.
Lu,
Pra mim uma pessoa que busca a carreira de juíz por salário é tão nonsense como seria um prefeito ou deputado.
Então está na profissão errada, deveria ser advogado que é a melhor profissão para quem quer enriquecer. Mais feio ainda é os que usam o cargo para construir patrimônio de maneira ilícita. Que ao meu ver tem menos caráter do que um bandido que nasce na favela e nunca teve a opção de estudar ou de trabalhar honestamente.
Mas eu sei o que você quer dizer, o fato das pessoas em geral verem a profissão de juiz como uma profissão abastada, já que está no topo do serviço público, é porque elas são educadas desde pequeno a serem empregadas e não empregadoras. Ninguém fica rico sendo juíz, o que pode acontecer é ele se aposentar mais cedo, resultado de uma educação financeira exercida por alguns anos. Ademais, não é realmente certo o sujeito só porque virou juiz achar que é um rei. O poder da canetada sobe a cabeça. Como disse o min. Gilson Dipp certeza vez: “O juiz tem que ser magistrado e não majestade”.
No mais, você falou do Eike (eu conheço bem a tragetória dele), mas se é pra ter inveja, tenha de alguém com ativos mais sólidos com fluxo de caixa como o Mittal ou nosso Gerdau até mesno Diniz, empreendedor de 1o quilate hehe
Tá pegando um boi que o maranhão é um “ovo”, manda ir pro interior do Amazonas: Benjamin Constant, Boca do Acre, Tabatinga e etc.
Acho a mais nobre das profissões. Um juiz honesto, mesmo que alguns discordem, é uma pessoa muito acima das outras.
No Entanto, quando o CNJ aqui esteve, um juiz lá esteve a reclamar como se fosse uma pessoa comum. Lhe foram dados os mesmos 05 minutos que as pessoas comuns tinham para apresentar suas reclamações. Nos 05 minutos de fama do magistrado este usou para reclamar ao CNJ sobre as seus descontentamentos. Avisado pelo Ministro Gilson Dipp que o seu microfone seria cortado este insistia em reclamar e a tentar exceder o tempo por achar-se privilegiado por ser juiz. Novamente Gilson Dipp ameaçou tirar-lhe a palavra e , contrariado, o Juiz acatou. Uma hora após um cidadào comum assumiu o microfone e, nos seus breves 05 minutos, vociferou( e foi aplaudido) , o seguinte: “ ORA, VEJO AQUI ATÉ JUIZ RECLAMANDO DE SALÁRIO, COMARCA e ETC. PORQUE FOI SER JUIZ ENTÃO?, DEIXE A VAGA PARA OUTRO, FAÇA OUTRO CONCURSO E DEIXE O SALÁRIO DE 23 MIL E TAL PARA ALGUÉM QUE GOSTE“. O cara foi ovacionado e Gilson Dipp Considerou um certo exagero. Achei por bem relatar esta passagem que poderá ser comprovadaa por outros que lá estavam.
Caro Zamith, Nào há modo de se discutir judiciário sem que desavisados tentem empurrar os juízes à responsabilidade pelas mazelas da justiça…..o que fazer???? Penso que os magistrados sabem o que fazer….vamos ouví-los, né mesmo!!!
Só uma dúvida para a “dona mel“: Esse “VAMOS OUVÍ-LOS“ é simplesmente ouvir? Ou seria“ ouvir em audiencia“ através de processos sendo ela, “dona Mel“uma Juiza?
Só rindo mesmo, estes Juízes sempre se achando melhores do que o cidadão comum. O cara menosprezando a realidade da maior parte dos brasileiros, o Judiciário brasileiro sempre se achando intocável e perfeito. Acho que ele esqueceu de mencionar suas férias de 80 dias por ano, será que nesse tempo ele ficava com a sua família?
RIDÍCULO!!!
Apenas dizer que as palavras da “luciene” foi de grande importancia, moro em sergipe o menor da federação, aqui ainda bem dá pra o juiz ir e vir das comarcas do interior sem que seje necessário fixar moradia na comarca porém corremos o risco das emboscadas na ida e no retorno pra ksa.
Não sou esposa de magistrado, tampouco diretora de vara, com todo respeito a estas pessoas e a que deduziu isto. Sou Magistrada. Também passei por comarcas do interior, e sou juíza há cerca de 13 anos. E, somente em 2005, fui para a Capital do meu Estado. Enquanto estive no chamado interior, não tive filhos, por uma opção, já que sabia o quão difícil seria a vida deles _ claro que poderia tê – los tido, e, como ressaltado por uma nobre colega, desta realidade ter auferido sabedoria e disciplina condizentes a circunstância de ter prole. Tive prole com 41 anos, quando já estava na capital. Continuo afirmando, sem olvidar do respeito as demais categorias profissionais, que os Juízes são, sim, pessoas que devem colher respeito pelos cidadãos, porque, como é óbvio, decidem vidas em litígio. Isto não quer dizer que a categoria de Magistrados não tenham respeito pelas outras profissões, ou pelas pessoas que vivem no interior e sofrem os revezes da falta e/ou deficiência do aparelhamento estatal no que se refere ao direitos básicos, saúde, educação, moradia, salários coondizentes. O que deve – se indicar e ressaltar é a primordial função judicante e dela ter – se, ao menos, a noção sensata de quão é importante, sim, a distinção acentuada com as demais funções e categorais profissionais, pela importância exercida, ao julgar – se, repito, vidas humanas. Há tempo para tudo, tempo para semear, para colher, para viver e para trabalhar. Mas, a função judicante, sempre objeto de paixão pelos que a exercem, por vezes, absorve tanto os que nela ingressam, que a vida, no mais, fica em segundo plano. Detalhe, também ressaltado por um nobre colega, a minha vara é extremamente em dia, não fazendo eu mais do que minha obrigação.
Outro Detalhe: férias, na maioria dos colegas que conheço, são para colocar os processos em dia, e sentenciar aqueles casos considerados mais difíceis. Isto, acredito, não seja de conhecimento da população, em geral. Ainda que não o fosse, julgar é algo de suma importância, e, como tal, devemos estar com a saúde mental e física em dia. Varíos colegas, inclusive, ‘lá pelas tantas’, enfrentam esgotamentos físico e mental. Um esclarecimento: não temos férias de 80 dias, pelo menos não no meu Estado, em que pese a informação acima constante. Com todo o respeito aos depoimentos acima, salutares ao tema suscitado pelo nobre colega Carlos.
Zamith, gosto muito do seu blog, em que pese, às vezes, não ter o devido tempo de lê – lo com vagar. Outra informação: não estou em horário de trabalho.
Abraços a todos.
Caro Dirceu, um dos deveres do Juiz, em determinadas matérias, é o de prestar a Jurisdição somente quando provocado. Como Juiz da Infância e Juventude ele tem o dever de fiscalizar as entidades de amparo à criança e adolescente (abrigos, crea´s, etc). Mas, não tem o poder de instaurar processo para determinar providências às escolas (públicas ou particulares) de educação básica. Cabe ao Ministério Público, à Defensoria Pública ou a qualquer cidadão propor ação visando determinar ao Poder Público a melhora dos serviços de educação. O Juiz também é um cidadão. Mas, se entrar com o pedido, ele ficará impedido de ser o Juiz do processo. E, os nossos tribunais não têm juízes o suficiente para preenche as titularidades das varas e comarca, quanto o mais para possibilitar a substituição de juízes nos casos de impedimentos/férias/licença. Ou seja, se o próprio Juiz entrar com o pedido, pode esquecer, que a tramitação do processo vai levar anos.
Em nenhum momento do relato do amigo juiz este questionou o dever do juiz residir na comarca na qual atua. Ele apenas relata as dificuldades às quais estão sujeitos os juízes para cumprir este dever. Tanto que o colega tomou a decisão no início de levar a família para lá residir. E, depois, vendo que estava prejudicando a esposa e o filho, decidiu que estes deveriam permanecer na capital enquanto ele continua com o seu ofício e residindo durante a semana na Comarca e indo à capital nos finais de semana. O artigo é apenas um desabafo (que somente entende quem já passou por esta situação) a respeito das péssimas condições de desenvolvimento das cidades do interior e como estas condições acabam por afetar ao Juiz (que não é Deus, nem Santo, ou sem sentimentos). Também passei por esta situação. Decidi levar minha esposa e filha. Minha filha passou a frequentar as aulas da 4a. série na escola pública, pois não havia escolas particulares. Porém, no primeiro dia de aula, ela me confessou que estavam ensinando a ela o conteúdo que ela havia estudado na 1a. série na Capital. Mandei-a de volta com a mãe para Manaus.
Quanto aos comentários exagerados daqueles que afirmam que nós juízes nesta situação devemos pedir exoneração, pois sabíamos destas condições de trabalho. Entendo que são apenas comentários de pessoas que não conhecem a realidade na qual vivemos, não conhecem como deve ser a atuação de um magistrado. Ou, então, de pessoas que não conseguem obter aprovação num concurso público para o cargo de Magistrado e estão também expondo o seu desabafo. Entendemos. Pois, quem já exerceu a magistratura no interior sabe perfeitamente que o Juiz, nesta situação, também tem que ser psicólogo, assistente social, conselheiro espiritual.
Quanto a necessidade de o Juiz conhecer os problemas existentes na Comarca. De fato, o Juiz deve conhecê-los. Mas, quem já colocou o pé pelo menos uma vez em qualquer município do interior do Estado e tenha um mínimo de preocupação social irá perceber que os problemas são recorrentes: drogas, prostituição infantil, desemprego, ausência de oportunidades, péssima qualidade da educação e das condições de saúde e segurança, exploração da população pelas classes dominantes (políticos, comerciantes, fazendeiros). Estes são os problemas existentes em qualquer cidade do interior do Amazonas. E, esta realidade somente irá mudar com o investimento em programas governamentais a serem efetuados pelo Poder Executivo (em suas três esferas: Federal, Estadual e Municipal) e não pela Magistratura. Investimentos estes que somente poderão ser determinados ao Executivo mediante a provocação do Poder Judiciário por quem detenha legitimidade para tanto (Ministério Público, Defensoria Pública, Mesas diretoras das Câmaras ou Assembléias, entidades associativas, etc. ou por qualquer cidadão), conforme o objeto da ação e segundo os critérios legais de competência previstos em Lei e na CF. E, sobre esta questão, não cabe neste espaço pretender explicá-las aos leigos e aos incipientes no Direito ou aos que mesmo tendo título de Bacharel na Ciência Jurídica, faltaram as aulas sobre estas questões e sobre as atribuições, natureza e garantias ao exercício da Magistratura.
Como disseram acima – e muito bem dito – [b]alguns[/b] querem o bônus e não o ônus. Dificuldades todos passam e ainda mais em início de carreira.
Moro no interior do Amazonas há 4 anos. Coari é a segunda cidade, depois de 3 anos e meio em Jutaí. Embora não seja juiz, gostaria de comentar:
Toda essa situação exposta, acho eu, é resultado da ausência do estado nas cidades do interior. Evidente. Tudo bem!
No caso dos magistrados e promotores, estes são os únicos que têm por obrigação começar a carreira em cidades do interior. Já outras categorias profissionais, como médicos, enfermeiros, professores universitários, técnicos e analistas de áreas jurídicas, trabalhistas, etc., ou a ‘coisa’ está começando agora, ou simplesmente o município (comarca) não dispõe daquele serviço público.
Posso citar como exemplo órgãos como AFEAM, SEDUC, SUSAM, TRT, TRF, SEFAZ, DETRAN, PF, RFB, INSS, e tantos outros da esfera estadual ou federal. Na maioria dos municípios do estado do Amazonas, a procura por serviços destes órgãos é mais que evidente. Por outro lado, ou o cidadão espera a ‘ação itinerante’, como é o caso da AFEAM que só tem escritório em Manaus e Manacapuru, ou se desloca para Manaus, para tentar sua aposentadoria.
Já a falta de ‘amizades’… acho que em cada cidade a sociedade local perde com a ausência de profissionais dos órgãos acima. Esses profissionais, normalmente, agregam valor a cidade em vários sentidos. Tanto na contribuição para aumento da renda percapita, como para melhoria na oferta de melhores produtos e serviços no comércio local.
Talvez agora os juizes tenham a companhia de médicos, já que o Governo do Estado pretende pagar gratificações aos profissionais que atuarem no interior.
Agora, dizer que o cara sabia como era a cidade, que viu no edital… pelo amor de Deus !! não acho que seja por aí. Ao que tudo indica, esse nunca passou mais que uma hora num barco no rio Solimões, quanto mais um dia numa cidade como Jutaí.
É Miguel, só mesmo quem esteve em uma cidade como Jutaí para entender o que significa ter que morar no interior … por mais linda que seja a beleza natural daquele lugar … as condiçoes adversas de vida são de impressionar … e, de fato, mesmo para os Juízes caboquinhos, nascidos na terra .. é difícil de imaginar as adversidades do interior, inclusive quanto a segurança e mesmo a garantia de vida dos Juízes nessas localidades.
O Amazonas é um Estado sui generis, as cidades são tão distantes uma das outras, o acesso é tão difícil, tão demorado e tão caro, que mesmo aqueles que nasceram no Estado, não conhecem a realidade do interior… Enfim, é muito fácil criticar os Magistrados, difícil é ser um deles!!
Nossa, eu vi o relato do magistrado como um desabafo e ao mesmo tempo pedindo um socorro para nossos governates.
Não é por que uma pessoa escolhe uma profissão, que ela tenha que abrir mão de ter uma familia ao seu lado
acredito que ele deve ter estudado e muito pra esse concurso, se passou foi com muito merito e me pareceu muito sensivel a amoroso com sua familia e uma pessoa de boa educação, os que estão detonando ele não tem sensibilidade ou… em fim deixa pra lá…
Adorei seu depoimento espero que logo possa ficar perto de sua famili assim como gostaria.
Sou advogado militante no interior do norte e nordeste, inclusive no Maranhão e no Amazonas. Quem conhece os costumes e a infra-estrutura das cidades do interior desses estados sabe muito bem do que ele está falando, e dele não há como discordar.
Espelho da realidade rotineira do interior do Brasil, o “desabafo” do magistrado deve ser visto, no mínimo, com solidaridariedade ao homem, ao marido e ao pai.
Parabens.
Interessante se tentar defender um juiz nesta situação. E como ficam os funcionários da Comarca que tb tem família e passam pelo mesmos problemas desse Juiz. Funcionários esses, que tb prestaram concurso público e foram morar longe de suas famílias. Ou ainda, que levaram a família para o interior, e seus filhos foram estudar em escolas “públicas”, da mesma forma que aconteceu com o filho do Juiz, já que lá não têm escolas particulares. Será que o Juiz é melhor que qualquer um desses funcionários que trabalham com ele? NAO FALO DE CARGO, FALO DE SER HUMANO. Que absurdo……me descupem, mas É PURA DEMAGOGIA.
E quando foi prestar Concurso público nao sabia que deveria residir no interior? Porque se priva de um cinema e outras atividades de lazer se acha no direito de privar os Munícipes da presença do Juiz para resolver problemas na Comarca e trabalhar ja que sao pagos (e muito bem) pra fazerem isso? Nao sei nem como se digna a publicar uma justificativa dessas…
Há um “bem” maior, um “coisa” transindividual e ainda requintada com a metafísica, quando se observa “sob a proteção de Deus”, mudada senão por uma revolução ou uma nova Carta.
Há ainda o que toda a humanidade “tenta” ou diz querer “buscar” o “JUSTO”, aqui acoplamos a igualdade, a liberdade e etc, seja de cumprimento estrito, seja a de conotação universal, ou outrossim, cardinal.
Quantas vezes nos deparamos com privações? Quantas barreiras são paulatinamente enumeradas em nossas vidas?
Digo aqui. Graças a Deus que os humanos são dotados de lamentações, talvez, em decorrência dessa amplitude emocional é que nos fazemos “um ser” social. Talvez da racionalização temos o tempero da emoção e quando nos debatemos em angustias e conflitos de egos, há outro, é aquele outro humano para nos confortar.
Mas não podemos é nos esquecer, a VIDA é uma, unica certeza é a mortalidade, inverso da materialidade ou do infinito.
Cada labuta ou lida tem seus pós e seus contras, ainda mais quando “humanos somos”
Até que ponto aplicar o JUSTO ou alcança-lo?
Até quando estabilizar nossa célula-mater?
Qual o sentido de assim nos percorrer?
Mas e meu lado emocial?
E aquela outra face chamada material?
Humanos somos, sociais somos, veja com olhos diferentes aquilo que lhe foi posto, seja aqui, considerado obra divina, dedicação racional e sim CONSTRUA.
História assim se faz, assim se cria. Seja história ou HISTÓRIA, cada qual tem a sua.
Lamentações, tristezas, criticas nos constroem e nos fazer tomar ‘amor” (ou racionalidade) pelo maior conhecimento e até onde encontra nossos limites.
LEVE SUA DISTÂNCIA FAMILIAR OU DIFICULDADES COMO METAS DE VIDA, OU MUDE.
ALIÁS TEMOS O QUE É MAIOR O “LIVRE ARBÍTRIO”!!
Sou advogado, vim de o interior de SP advogar juntamente com o Dr. Claudemir Mingorance, deixei, família, infância, juventude para buscar meus objetivos ainda que momentâneos, mas não deixei de ter meu LIVRE ARBÍTRIO. E isso está gera conhecimento.
O caso do eletricista nada tem a ver com a essência do texto. O seu colega de forum na capital poderia ser tão ou mais perigoso para o seu filho quanto o pobre autônomo do interior.
Sem querer, o articulista expressou seu preconceito contra as pessoas de baixa renda, mais tarde comparadas a “gato e cachorro” por um cidadão elitista.
Tenho certeza que meu eletricista, homem sem posses, mas sério, a quem tive a honra de receber em minha casa por várias vezes, representou menos “perigo” ao meu filho, na época uma criança, que representaria um certo magistrado trabalhista de nome de cor alva no masculino e diminutivo.
Então, o juiz quando faz o concurso já sabe que vai morar em uma cidade do interior e que tem obrigação de morar na comarca, ou seja, ou não foi enganado.
Ademais, o serviço prestado por ele é essencial já que se alguém for preso ilegalmente ou por abuso de autoridade, o injustiçado só poderá recorrer ao juiz da cidade, mas se ele não estiver na comarca, o coitado vai continuar preso e humilhado.
No Piauí os juízes recebem cerca de 3 mil reais de auxílio-moradia para residir na comarca em uma casa de propriedade do próprio poder judiciário, mas no máximo passam 3 dias na cidade da comarca.
Sobre o relato do juiz do Maranhão, fica parecendo que todo cidadão de cidade pequena é fofoqueiro e bandido. Bandido e fofoqueiro tem em todos ambientes e em todas classes sociais e todas as raças, a única maneira de diferenciar é conhecendo as pessoas e convivendo com elas, ficou um tanto quanto preconceituoso e ofensivo o depoimento do juiz.