Arquivo para junho de 2007

UMA EDUCAÇÃO FAMILIAR QUE FABRICA MARGINAIS


Do blog do Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja.

Acabo de ver no Jornal Nacional um troço escandaloso.

Uma empregada doméstica foi roubada e espancada por cinco jovens de classe média alta no Rio, quatro deles universitários — um é estudante de direito. Quatro já foram presos. O pai de um dos detidos deu uma entrevista depois de se desculpar com a vítima. E não teve dúvida: “É injusto manter crianças que estudam na cadeia”. As “crianças” a que se refere são maiores de idade, estavam num automóvel, voltavam de uma boate.

Não faltará quem veja na ocorrência uma espécie de derivação da crueldade dos ricos contra os pobres, mais um capítulo de uma espécie de arranca-rabo de classes. Bobagem! Não guardei o nome do pai — vou procurar depois no site do JN. Mas o que eu vi ali foi o resultado de algumas décadas de educação laxista, que prolonga indefinidamente a adolescência dos marmanjos, fazendo deles seres inimputáveis: podem quebrar, espancar, invadir, consumir drogas, fazer qualquer coisa. Eles têm direito à balada. E isso vale para qualquer classe

Já o pai da empregada, um homem simples, disse o óbvio: há pais, hoje em dia, que não querem saber onde estão seus filhos e o que eles fazem. Na mosca! Por isso, ele criou uma mulher decente, que trabalha e ganha a vida honestamente. Enquanto o outro está implorando impunidade para o seu marginal chique.

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NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

Aproveitando o gancho sobre o post “Procura-se um dicionário”, que abordou o rebuscado despacho escrito por um magistrado do Mato Grosso do Sul, lembrei de algumas deturpações praticadas em cima de expressões populares e que de tanto reproduzidas terminaram por ganhar legitimidade.

Quem nunca ouviu a conhecidissíma “não prega prego sem estopa“? Mas, o que a estopa tem a ver com o dito popular? Nada. não se encaixa. O correto é “não prega prego sem escopo“, ou seja, sem objetivo, sem finalidade.

Também a expressão “dar uma pala” e o seu diminutivo “dar uma palinha“, adquiriu uma nova forma: transformou-se em “dar uma palhinha“. Pala é um enfeite de vestido feminino, uma dobra perto da gola, ou aquela parte do boné, também chamada aba. É um ornamento e em sentido figurado situa-se como uma coisa secundária. Daí a expressão “dar uma pala“, ou seja, resumir, adiantar o assunto, dar apenas uma pista do que se vai dizer. Por extensão, chegou-se a “dar uma palinha“, que significa ser ainda mais sucinto.

E a usual “escarrado e cuspido“, empregada quando se quer realçar semelhança física ou de comportamento entre duas pessoas, mais precisamente entre parentes: Fulano de tal é o pai escarrado e cuspido . Bem, há uma velha teoria de que esta expressão seria a corruptela de “encarnado e esculpido“, antiga frase que se referia a imagens de santos. Outra vertente afirma que a corruptela deriva da expressão “em carrara esculpido“. Esta última é uma alusão à perfeição das esculturas de Michelangelo, pois carrara é um mármore da Itália e foi bastante usado por ele

Enfim, qualquer uma das duas versões faz mais sentido que a anti-higiênica “escarrado e cuspido”.

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CARREGANDO A TOCHA




Ontem, sábado, por volta das 13:00 horas e sob uma temperatura de 36 graus, o “velho” conduziu a tocha dos jogos pan-americanos durante parte do percurso que ela fez por Manaus.Como vocês podem notar pelas fotos, ele começou meio devagar, talvez inibido pela presença dos policiais militares, mas, na sequência, ensaiou um pique, forçando o agente de trânsito a acelerar a potente Yamaha.

Tudo isso aos 81 anos. É um gigante.

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PROCURA-SE UM DICIONÁRIO

Ninguém valoriza o que não conhece. Partindo desse mote, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) lançou em agosto de 2005,campanha para simplificar a linguagem jurídica utilizada por magistrados, advogados, promotores e outros operadores da área.Para a entidade, a reeducação lingüística nos tribunais e nas faculdades de Direito, com o uso de uma linguagem mais simples, direta e objetiva, está entre os grandes desafios para que o Poder Judiciário fique mais próximo dos cidadãos.

O documento acima reproduz despacho de magistrado do Mato Grosso do Sul. Desconsidera a campanha promovida pela Associação. Clique na imagem para ler o seu conteúdo, mas antes, previna-se com um bom dicionário.

Fonte: Espaço Vital

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SANDÁLIAS DA HUMILDADE

Notícia do site Consultor Jurídico.

O juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel (PR), decidiu cancelar uma audiência porque uma das partes calçava chinelos. Para ele, “o calçado é incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”.

O trabalhador Joanir Pereira ajuizou ação trabalhista contra a empresa Madeiras J. Bresolin. A primeira audiência, no entanto, não foi feita porque o ex-funcionário estava com calçado impróprio para o ambiente, de acordo com o juiz.

Na ata, o juiz registrou a sua insatisfação e marcou uma nova data para a audiência. O caso foi noticiado, nesta quinta-feira (21/6), pelo site Espaço Vital.

“O juiz deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”, registrou o documento.

Digo eu, relembrando Einstein: “existem apenas duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo”.

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