Arquivo para fevereiro de 2007

INTERROGATÓRIO – ASSALTO AO DB

Terça-feira chuvosa, dia designado para realizar o interrogatário dos réus (cinco), acusados da autoria e participação do milionário roubo ao Supermercado DB, fato ocorrido no dia 22 de dezembro de 2006.

Foram mais de R$ 500.000,00 subtraídos do patrimônio da empresa, numa empreitada executada diretamente por dois dos acusados (Rudson e Luis Carlos), mas, contando, segundo a denúncia da Promotoria, com a participação de outras 03 pessoas (Marcilio, Elian e Leandro), os quais teriam concorrido para a prática do crime.

Começo a interrogar o réu Marcílio. Cidadão de meia-idade, olhar abatido, confessa sua participação na empreitada criminosa, admitindo ter informado aos demais sobre o sistema de pagamento da tesouraria do DB. Reconhece ter recebido R$ 32.000,00 do butim. No final do depoimento, diz-se arrependido e chora.

Em seguida, passo a ouvir o Rudson. Assume participação no evento. Rudson e Luis Carlos foram os autores diretos do roubo. Os que ingressaram na sala da tesouraria e de lá, arma em punho, renderam a tesoureira e retiraram os malotes com a milionária quantia. Disse ter ficado com R$ 150.000,00.

Luis Carlos, o Tiririca, outro que confessa a autoria do crime e conta idêntica versão a de Rudson. Até sua parte na pilhagem foi igual a do parceiro.

Já passam das 14:00 horas e inicio a ouvir a ré Elian, que vem a ser irmã de Luis Carlos. Elian nega ter concorrido conscientemente para a consecução do roubo. Afirma que foi usada involuntariamente pelo irmão.

O último réu se chama Leandro. Conhecido de Tiririca, Leandro conta que foi chamado por este após o assalto. Afirma que ao atender o telefone, Tiririca falou apenas que precisava de uma “carona”. Ao chegar no local, Tiririca “abriu o jogo” e Leandro aceita conduzir a dupla para as dependências do Karaokê Fusato, pertecente a Elian, local onde foi realizada a partilha do dinheiro.

Leandro assumiu ter recebido R$ 40.000,00 pela cooperação e como jovem que é, esbanjou grande parte dessa quantia em futilidades. Gastou um bom dinheiro na boate Rêmulo’s, reconhecendo ter desembolsado R$ 3.000,00 por um programa sexual com uma “garota de capa de revista”, segundo a propaganda que lhe venderam.

É isso, Leandro: Prazeres imediatos, preocupações a longo prazo. Ao menos, valeu a pena (o programa sexual), disse-me ele – ao ser por mim perguntado.

Já passavam das quinze horas quando dei por encerrada a audiência.

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AS COSTAS LARGAS DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

Tenho pena dos Conselheiros que compõem o Conselho Nacional de Justiça. São instigados a opinar sobre tudo.

Na sessão de amanhã -27/02 – por exemplo, estimulado por um pedido de providências formulado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Chapecó/SC , o CNJ vai dar seu parecer sobre os famosos dias “enforcados”, cuja prática é adotada costumeiramente no setor público.

Tenho curiosidade em saber como o CNJ vai se pronunciar sobre o tema.

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AVIÃO DE PAPEL?

Estou lendo agora, no portal g1 que um avião da TAM sofreu despressurização em pleno vôo e algumas máscaras não cairam. Dois passageiros passaram mal e o piloto decidiu continuar o vôo até Porto Alegre, numa altitude mais baixa, o que prolongou a viagem em mais uma hora

A aeronave era um Fokker 100.

Desde quando uma avião desses caiu em numa rua residencial de São Paulo, logo após a decolagem, matando mais de 100 pessoas, uma série de acidentes vem perseguindo esse modelo de aeronave.

Não faz muito tempo a porta de um Fokker 100 sacou em pleno vôo, caindo sob a lage de um supermercado em São Paulo.

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MAIS UMA DO MILLÔR

Eterno, em amor, tem o mesmo sentido que permanente no cabelo….

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CALAMANDREI TEM RAZÃO

Estava relendo “Eles, os juízes, visto por um advogado”, de Piero Calamandrei e deduzi ter ele razão, num tópico em que faz um alerta aos elogios contidos na sentença em favor de uma determinada parte.

Diz Calamandrei que quando um juiz, na fundamentação da sentença, dirige a uma das partes os epítetos de “hábil“, “douto” e similares, quase sempre o faz para atenuar o que pretende dizer depois, a saber: que não se se deixa enganar por aquela habilidade e não concorda com aquela doutrina.

Se um advogado, ao ler a fundamentação de uma sentença, topa com tais epitetos laudatórios dirigidos a ele, pode ficar certo, sem precisar ler o dispositivo, de que perdeu a causa, ensina o mestre italiano.

É o equivalente ao “morde, mas sopra….”

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